Uso excessivo de celulares pode causar atrasos de linguagem

Não tem jeito. Crianças que estão neste distanciamento social ficam mais tempo celular, tablet, TV e até mesmo no computador. Os desafios de entreter os pequenos ficam cada vez maiores após mais de 200 dias com elas em casa devido à ausência de aulas presenciais, amiguinhos para brincar e mães que precisar trabalhar, cuidar de si e da residência… Quem está nesta situação sabe bem que a tecnologia se tornou uma aliada. Porém, como tudo na vida, é preciso saber dosar o tempo de uso.

Os efeitos adversos do uso excessivo de aparelhos eletrônicos é um tema monitorado de perto por profissionais da saúde infantil. Antes da pandemia, o Royal College of Pediatrics and Child Health do Reino Unido já havia feito recomendações aos pais sobre os impactos negativos do uso excessivo desses dispositivos, incluindo dificuldades no desenvolvimento da linguagem e distúrbios de visão. Com o isolamento social, as crianças ficaram muito mais expostas ao tempo de tela.

Celular e tablets para crianças: passar muito tempo usando eletrônicos pode  prejudicar desenvolvimento - BBC News Brasil

A fonoaudióloga Daniella Caropreso, membro da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia, alerta que o uso desmedido da tecnologia nas mãos infantis forma indivíduos intolerantes à frustração e infantilizados.

“A cada dia que passa, recebo mais crianças no meu consultório apresentando atrasos de linguagem. Em comum, percebo que o uso excessivo de celulares e tablets têm prejudicado o desenvolvimento desses pacientes. Chamo este fenômeno de “crianças touchscreen”, ou seja, aquelas que por uso excessivo de eletrônicos recebem menos estímulos à interação social e à exposição a brincadeiras. Na capacitação oral, as menores são mais propensas a trocar as letras”, explica.

A fonoaudióloga afirma que a tecnologia não deve ser evitada, mas sim, utilizada com limites bem definidos.

“Recomendo que antes dos dois anos, o contato com eletrônicos seja mínimo. A luminosidade das telas impacta o desenvolvimento sensorial, visual e, consequentemente, o da linguagem. É importante lembrar que é pela audição que uma criança, desde o nascimento, começa a perceber o mundo, mas é pelo tato que ela compreende e se integra ao entorno. O excesso de eletrônicos prejudica essa etapa”.

A profissional aconselha ainda que os pais estimulem a prática de jogos, brincadeiras e leitura de livros.  

“Não podemos perder as relações de afeto, os momentos de interação familiar, as conversas durante o jantar, o hábito de contar como foi o nosso dia. São essas as recordações que devem fazer parte da vida da criança, e não o que ela viu em uma tela”.

No Brasil, existem aproximadamente 700 mil crianças de três a seis anos com transtornos de fala que precisam de tratamento especializado, segundo estimativas da Associação Americana de Fala, Linguagem e Audição (ASHA).

De 0 a 1 ano

5 dicas para distrair seu bebê quando você precisar economizar tempo –  Pais&Filhos

Brincadeiras com chocalho, pequenos tambores, bichinhos de
apertar, mordedores, se olhar no espelho, blocos de encaixes, músicas
infantis. Colocar o bebê de barriga para baixo e colocar um brinquedo
na frente dele. Isso estimula a musculatura do pescoço e o futuro
engatinhar. Brinquedos com luzes os bebês também adoram.

De 1 a 2 anos

Como é e o que faz o bebê com 1 ano - Tua Saúde

Brinquedos de encaixar peças, argolas para sobrepor, bonecas e
bichinhos para cuidar, carrinhos e brinquedos com som. Ouvir músicas e
dançar. Deixar a criança de quatro e solicitar o engatinhar até a mamãe.
Colocar diversos alimentos diferentes sob supervisão para oferecer
texturas e sabores diferentes.

De 2 a 3 anos

ILINA YULIIA/SHUTTERSTOCK

Pinturas em cartolina ou sulfite com pincéis, tintas para pintar com
os dedos. Brincar com massas de modelar. Criar personagens que falam e se expressam. Fantoches, livros com texturas e sons, brincar de esconde-
esconde, pintar com pedaços de esponjas, fazer caras tristes ou felizes, caretas engraçadas, imitar os irmãos ou familiares. Andar de velotrol pela
rua, passeando e nomeando os lugares e pessoas, apontando para o céu
e cantando.

De 3 a 4 anos

Crianças hiperativas (TDAH) brincando com uma bola

Usar papéis coloridos para colar em papelão ou folhas sulfites.
Brincar de correr, de se esconder e incentivar a criança a fazer sons
quando conseguir achar alguém. Brincar de casinha, cuidar de uma
boneca, fazendinha com animais, contando os bichinhos e imitando os
barulhos que eles fazem. Crianças exploram todo o ambiente, por isso,
cuidado com quinas, degraus e tomadas.

De 4 a 5 anos

As melhores brincadeiras para estimular o desenvolvimento do seu filho por  idade - Revista Crescer | Desenvolvimento

Jogos com regras simples e brincadeiras de montar e construir,
jogo do engenheiro, cilada, Lego, jogos que estimulam a concentração,
atenção, imaginação e imitação. Lousa para estimular a escrever,
desenhar e rabiscar. Jogo de montar palavras, memória de cores,
números, frutas, etc.

A partir dos 5 anos

Dos 5 anos em diante, a criança já deve falar fluentemente,
utilizando corretamente o plural, os pronomes e os tempos verbais, além
de ter grande interesse pelas palavras e a linguagem. Tem conhecimento das cores e números, além da habilidade de memorizar histórias e repeti-
las. É normal gaguejar se estiver muito cansada ou nervosa.

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