Saúde mental infantil: especialistas alertam para casos de tristeza e depressão entre as crianças

A saúde mental não deve ser uma preocupação apenas na vida adulta e na terceira idade. As crianças também podem sofrer com distúrbios emocionais e nem sempre conseguem expressar o que está acontecendo. Por isso, é muito importante que os pais e pessoas próximas estejam atentas aos sinais de alerta e se empenhem na promoção da saúde mental infantil

Como sei se meu filho está sofrendo emocionalmente? De acordo com a psicóloga Adriana Drulla, mestre em Psicologia Positiva e especialista em Parentalidade, as crianças se comunicam com o comportamento. O sofrimento pode levar ao desinteresse por coisas que antes eram prazerosas, às vezes ao isolamento.

“Mas também é possível que a criança expresse a dor mostrando irritação, oposição, ansiedade, medo, ou ainda se tornando mais dependente, requisitando uma maior presença dos pais. E é possível que o sofrimento cause sintomas físicos também. Estar atento a mudanças de comportamento e surgimento de sintomas físicos é importante”, orienta.

É na infância que os indivíduos desenvolvem a sua estrutura mental. Situações adversas nessa fase da vida estimulam a produção de cortisol, conhecido como hormônio do estresse, que atrapalha as conexões entre os neurônios. (Foto: Thgusstavo Santana/Pexels)

É inegável que as crianças também atravessam vivências negativas. No entanto, é diferente de quando isso acontece de vez em quando para algo rotineiro. Estar entre outras crianças, brincar, ter momentos felizes e atenção de qualidade por parte da família torna a vida dos pequenos mais amorosa e harmoniosa. Porém, por conta da pandemia caudado pela Covid-19, o distanciamento social causou grande impacto na vida de todos, sobretudo na rotina dos pequeninos. Já são mais de 200 dias com elas em casa.

“As crianças estão vivenciando um período muito novo de insegurança. Temos a separação repentina de amigos e familiares, a interrupção escolar, rotinas mais bagunçadas com sono irregular, dieta menos balanceada, pouco atividade física, elementos importantes para a saúde emocional também foram prejudicadas. Além disso, ficam preocupadas com a própria saúde, a saúde de familiares e até mesmo preocupação com a morte, o que pode ser bastante assustador para as crianças. Os pais também estão lidando com as questões que a pandemia traz; o aumento do estresse familiar afeta a criança direta e indiretamente. O sofrimento emocional dos pais muitas vezes leva à menor disponibilidade emocional para os filhos, e às vezes a atitudes mais punitivas em relação às crianças”, analisa a psicóloga Adriana Drulla.

Como saber se seu filho está depressivo

Cuidar da saúde mental das crianças é importante para uma base emocional sólida e segura nos anos seguintes e muitos pais estão recorrendo a arteterapia e passeios ao ar livre, como aliados. Mas como saber se meu filho está depressivo? Diferentemente da tristeza fisiológica, a depressão é um quadro clínico potencialmente grave que exige busca por tratamento com especialistas.

De acordo com o psiquiatra Pedro de Alvarenga, doutor em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo e Docente do Hospital Sírio-Libanês, a depressão por definição implica em um estado de tristeza ou irritação que duram duas semanas ou mais, em que as alterações de humor levem a perda de interesse, desânimo, alterações de sono ou apetite e perda de concentração. E como tratar filho com depressão?

“O tratamento possui vários eixos: demanda psicoterapia individual, orientação e treinamento parental, mudanças de rotina (dieta, tempo de telas e atividade física, por exemplo). Em casos de depressão moderada e grave são indicados antidepressivos seguros, aprovados para uso na infância e adolescência. Na dúvida, um psicólogo, pediatra ou psiquiatra infantil podem auxiliar no diagnóstico e tratamento”, explica Pedro de Alvarenga. Na dúvida, um psicólogo, pediatra ou psiquiatra infantil podem auxiliar no diagnóstico e tratamento.

E depois de ler até aqui, você deve estar se perguntando se há uma idade mais comum para esse tipo de ocorrência. Os casos de depressão em crianças não são muito comuns, mas pode acontecer. O tem tido um aumento considerável é a depressão em adolescentes. Embora mais raras antes da fase adulta.

A depressão é mais frequente no adolescente e no adulto jovem do que na faixa pediátrica, e via de regra pode ser um desfecho de ansiedade, stress, burnout e maus tratos. Quando há história de ansiedade e depressão nos familiares de primeiro grau dessa criança, aumenta o risco desse tipo de evento.

“Cabe lembrar o papel negativo do “mundo perfeito” das redes sociais e bullying na gênese da depressão em jovens. O uso de álcool e drogas vem se tornando cada vez mais precoce e disseminado em nosso meio, outro ponto de atenção”, alerta o psiquiatra Pedro de Alvarenga.

O que pode causar depressão nas crianças
Abuso sexual
Bullying
Cobrança exagerada vinda da família
Excesso de tecnologia
Falta de afeto
Traumas
Violência

Fonte: Hospital Santa Mônica

Como cuidar da saúde mental das crianças
Permita que as crianças se expressem
Não esconda o que está acontecendo
Evite a sobrecarga mental da correria do dia a dia
Promova o sentimento de pertencimento familiar
Esteja atento aos sinais de que algo não está bem

Fonte: Hospital Santa Mônica

Quando esses sintomas forem identificados, o mais indicado é procurar ajuda profissional.
Queda no desempenho escolar
Agressividade
Irritabilidade
Alterações nos padrões de sono e apetite
Tristeza
Timidez exagerada
Nervosismo sem causa aparente
Apatia
Pesadelos frequentes
Falta de vontade de ir à escola ou de realizar atividades que antes eram prazerosas.

Fonte: Hospital Santa Mônica

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