Em defesa dos pequenos: saiba identificar sinais de violência e maus tratos contra crianças e como buscar ajuda

Mais de 26 mil crianças são vítimas de algum tipo de violência no Brasil, seja ela física ou psicológica. O mais recente caso de morte de criança vítima de violência doméstica reacendeu e resgatou na lembrança da população tantos outros assassinatos cruéis. O isolamento social fez adultos e crianças dividirem espaço conjunto para trabalhar, descansar e brincar, com isso, casos de impaciência, sinais de violência e desrespeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente estão mais evidentes.

Antes de mais nada, precisamos lembrar que são crianças! Imagine como fica o coração de uma criança cada vez que ela apanha, é tratada aos trancos, berros e desrespeito. O coração dispara, as pupilas dilatam, elas ficam aterrorizadas! Elas não sabem se defender e isso aumenta ainda mais a covardia de quem pratica violência contra crianças.

E como diz a música do Palavra Cantada, “criança não trabalha, criança dá trabalho”, sim, mas não devem ser empecilhos, fardos e atravanques na vida de ninguém. Elas precisam de atenção, amor e carinho. Especialmente durante a pandemia, quando as famílias estão em isolamento social e elas longe dos amiguinhos com que podem interagir, brincar, conversar sobre assuntos de criança.

Acima de tudo, a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, no Rio de Janeiro, criou um alerta em relação a agressões contra crianças. Delegado Henrique Damasceno, responsável pela investigação da morte do menino, disse que o vereador Dr. Jairinho cometeu agressões que mataram o garoto e que Monique Medeiros foi conivente. Os dois foram presos nesta quinta-feira (8/4) sob a suspeita de atrapalhar a investigação.

Dados do Ministério da Saúde dizem que mais de 70% dos casos de abuso infantil acontecem no local onde as crianças moram e são cometidas por seus familiares e parentes próximos. A violência contra crianças não pode ficar escondida, abafada. É importante denunciar na polícia e no conselho tutelar.

SINAIS DE VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS

Um dos principais alertas é uma mudança drástica de comportamento. Segundo psicólogos especialistas em desenvolvimento infantil, se a criança é alegre e agitada passa a ficar quieta, acuada, triste e até mesmo agressiva. Mas, na maioria dos casos elas ficam amedrontadas. A violência afeta a saúde mental das crianças. No caso de Henry, segundo as investigações da Polícia Civil, ele tinha medo do “Tio Jairinho” e relutava em voltar para a casa. A mãe relatou aos policiais que o menino chorava, vomitava e passava mal quando voltava para a casa do padrasto.

“Quando a criança está sofrendo violência psicológica e física, ela mostra sinais de ansiedade, comportamento mais obsessivo, tiques, manias. Ela pode ficar sonolenta, letárgica, muito introspectiva ou então extremamente agitada, irritada. Pode mudar o comportamento de um dia para o outro”, explica Dr. Dráuzio Varella em seu site.

Adultos que convivem com a criança, isso inclui professores e educadores, também podem atentar-se a sinais de agressão aparentes no corpo da criança, como arranhões, cabelos quebrados, tufos arrancados, vergões, roxos, “galos na cabeça” ou machucados pelo corpo.

Quando as agressões são psicológicas afetam o emocional da criança e os especialistas alertam para alteração no sono (insônia, pesadelos, acordar chorando, dormir demais), e na alimentação (comer demais, anoréxicas ou desenvolver bulimia), a criança pode também passar a querer evitar estar no mesmo local com o agressor ou ter medo de outras pessoas.

Vídeo no Youtube ensina de forma lúdica sobre violência contra crianças

O coletivo artístico Ninguém Mexe Comigo lançou no Youtube o clipe “Ninguém Mexe Comigo!” para conscientizar crianças e adolescentes de forma lúdica sobre o que pode ser considerado um abuso e como denunciá-lo.

Idealizado pela designer e ativista Paola Bellucci Ortolan, são mostradas ilustrações que ajudam a criança a identificar e relatar um abuso. A música, composta pela cantora Bruna Caram foi inspirada no livro infantil Não Me Toca, Seu Boboca, de Andrea Viviana Taubman. Marcelo Jeneci participa dos vocais e toca sanfona. Alice Bevilaqua de Castro com violino e conta com a interpretação de libras da Roberta Almeida.

COMO DENUNCIAR

Disque 100: A denúncia será analisada e encaminhada aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos, respeitando as competências de cada órgão.

Aplicativo Proteja Brasil: Depois de instalar o aplicativo gratuito no celular, há um formulário simples para registrar denúncia, que é recebida pela central de atendimento do Disque 100.

ONGs: Procure organizações que atuam para o combate ao problema, como o ChildFund Brasil e a Childhood Brasil. A Safernet é uma organização social que recebe denúncias de crimes que acontecem contra os direitos humanos na internet, incluindo pornografia infantil e tráfico de pessoas.

Conselho Tutelar: O Conselho Tutelar é responsável pelo atendimento de crianças e adolescentes ameaçados ou violados em seus direitos. A denúncia pode ser feita por telefone ou pessoalmente, na sede do conselho. Encontre o telefone do Conselho Tutelar mais próximo digitando “Conselho Tutelar + o nome do seu município” no Google, Bing, Safari, etc. Podem aplicar medidas com força de lei.

Em síntese, não se cale! Denuncie. Você pode estar salvando a vida de uma criança.

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