Quando nasce uma mãe, nasce a culpa. Chega disso!

O que mais ouvimos quando ficamos grávidas é que “quando nasce uma mãe, nasce a culpa”. Minha proposta é ampliarmos nossa capacidade de autoavaliação sobre a maternagem e tudo aquilo que verdadeiramente somos. O objetivo? Acabar, ou diminuir muito, esse sentimento de culpa, incapacidade e dependência da opinião alheia. Quer tentar comigo? Continue lendo.

“Quando nasce uma criança, nasce uma mãe e com ela a culpa”. Tenho absoluta certeza que você – assim como eu – ouviu isso muito vezes. Essa cobrança externa e interna pela perfeição inatingível… Muitas mulheres estão adoecendo emocionalmente por conta das expectativas de perfeição. É um processo “natural” quando nos tornamos mães. Mas, por mais que queiramos fazer tudo da melhor forma possível, somos vencidos pelo cansaço, pelo estresse, por nossos limites e até mesmo pela nossa falta de conhecimento sobre nós mesmas.

Sim! A ausência de saber quem realmente somos, o que queremos, para onde vamos é uma porta aberta para que nossos sabotadores mentais trabalhem livremente sem freio e estimulado impostores emocionais a dizerem repetidamente que não somos o que realmente nos mostramos ao mundo. Chega disso!

Que tal se em vez de falarmos “Quando nasce uma mãe, nasce a culpa” trocarmos por Quando nasce uma mãe, nasce o amor capaz de fazer tudo o que nos é possível pelo bem-estar desse serzinho”?

Quando nasce uma mãe, nasce o amor capaz de fazer tudo o que nos é possível
(Foto: Gustavo Fring/Pexels)

Amigos, familiares, colegas de trabalho, conhecidos, todos se acham no direito (que eles não têm) de imputar sobre nós, mães, suas experiências e quase que obrigar a seguir o caminho que fizeram. Não! Cada mãe, cada pai, tem sua própria jornada. Mãe não é tudo igual, só muda de endereço. Crianças não são iguais. Somos aquilo que temos em nosso repertório de vida. Oferecemos o que temos de conhecimento no momento. É por isso, que digo ser muito importante estar em aprendizagem contínua, porque isso amplia o discernimento e a capacidade de agir por si mesmo, sem culpa, ou, pelo menos, sentindo menos culpa.

Pare para pensar por alguns instantes: de onde vem essa culpa que você carrega em relação a sua maternidade? De onde vem a sensação de que não está fazendo o suficiente? De onde vem essa angústia de que você tinha que estar mais perto, mais presente, mais completa? Qual é a sua vulnerabilidade?

A minha culpa é a sensação de que eu não dou atenção suficiente para a minha filha. Mas quando parei para analisar meus últimos dois meses com ela trancada em casa por conta dessa pandemia de coronavírus, percebi que eu dou a atenção necessária para que ela tenha com quem brincar, conversar, interagir. Mas e a tal culpa, porque ela ainda está aí? Porque antes a minha filha sabia que eu trabalhava, mas não me via atracada ao computador e ao celular como ela tem me visto nos últimos tempos de isolamento social. Isis ia para a escola e eu para o escritório no coworking. Depois da escola ela tinha a mãe só pra ela. Mas as infecções e mortes causadas pela Covid-19 nos mandou para dentro de casa e com isso veio o home office, reuniões online, mensagens no Whatsapp, Telegram e um telefone que não para. A culpa? Não poder brincar o dia todo com ela quer.

O ponto de virada

Eu acredito muito que se você está trabalhando em casa com crianças ao seu redor, lidando com as interferências familiares ou até com a rotina doméstica que parece não ter fim, você vai se conectar com o que eu estou vivendo. Essa crença coletiva de que cabe a nós, mulheres e mães, os cuidados com as crianças e com a casa é a principal razão para a autopunição.

Eu estou fazendo o meu melhor.
(Foto: Eu e Isis/Álbum de Família)

Em meio à loucura de um home office com tantos desafios, me vi sob o julgamento de pessoas que não vivem a minha realidade. Elas diziam que eu tinha que ter horário para brincar com a minha filha (como se eu não fizesse isso), que eu tinha que dar atenção pra minha filha (como se isso não acontecesse) e o ponto de virada… que a minha filha fica traumatizada de ver a mãe trabalhando e estudando!

Oi!? Como assim minha filha vai ficar traumatizada por ver a mãe produtiva, trabalhando, estudando? Foi neste momento que uma maçã caiu na minha cabeça e acabou com a minha culpa por estar fazendo o que julgo ser o certo. Porque eu fico com ela o tempo todo que ela não vai para a casa do pai. Dormimos juntas, acordamos juntas, tomamos café da manhã, almoço, lanche, jantar, ceia juntas. Conversamos, assistimos filmes, desenhos, pintamos, andamos de patinete, lemos, brincamos, aqui nos permitimos criar, recriamos historinhas, olhamos o céu com aplicativos de astrologia, fantasiamos o chão de lava. O que eu não estou fazendo? Eu estou fazendo o meu melhor. O que estava acontecendo era que eu estava me sabotando ao aceitar que pessoas que não sabem o que rola aqui dentro de casa opinassem sobre o que eu deveria fazer. Mas há limites nesta terra!

A solução? Cortei. Tive medo de dar limite? Sim. Mas fui com medo mesmo. Ninguém vai me fazer sentir culpa por estar na onda da atividade, produzindo, aprendendo. Foi assim que percebi como as pessoas que estão fora do contexto diário julgam, dizem o que fazer, mas não perguntam como nos sentimos. A maioria se apressa em falar antes mesmo de permitir que digamos alguma coisa. Resgate sua capacidade de fazer o que é certo para você.

Como lidar com a culpa materna

Primeiro de tudo é saber que você não é a única que se sente assim. Você não está sozinha e pode contar comigo para conversar. Saiba que é possível conviver com esse sentimento de forma saudável.

Então, retorno as perguntas que fiz antes: de onde vem essa culpa que você carrega em relação a sua maternidade? De onde vem a sensação de que não está fazendo o suficiente? De onde vem essa angústia de que você tinha que estar mais perto, mais presente, mais completa? Qual é a sua vulnerabilidade?

Só você é capaz de fazer essa autoanálise, escavar-se, revirar-se, futucar-se, ir até as suas fundações. Olhar seus erros, seus acertos, fazer ajustes e correções. Tem medo do que vai encontrar? Vá com medo mesmo! Só assim você vai sair do que te ancora, avançar sobre suas dificuldades e ter a chance de corrigir o que precisa ser melhorado.

Autoanálise: Só você é capaz de escavar-se, revirar-se, futucar-se, ir até as suas fundações (Foto: Christina Morilo/Pexels)

Uma das coisas que fiz foi parar de consumir conteúdos diferentes da minha realidade materna. O Instagram está repleto de “maternidades reais” diferentes da minha. Isso me levava a achar que eu era menos do que as outras mulheres, que oferecia pouco para minha filha. E veja bem: sou jornalista, produtora de conteúdo para redes sociais e sei bem que muito do que vemos no “universo online” é fruto de uma produção pensada para gerar “likes”. Mesmo assim, fui afetada. Então, agora eu sigo perfis maternos com a realidade mais próxima da minha, perfis educativos, lúdicos e de profissionais que me inspiram. Isso é conectar-se com o que me faz bem.

O Instagram está repleto de “maternidades reais” que provocam frustração e culpa
(Foto: Kaboompics/Pexels)

Quando eu posto a #VidaReal é a realidade. Não é algo ilusório, imaginário feito para chamar likes. É natural, orgânico. Minha missão como mãe jornalista é levar fatos, mostrar o que é sem máscaras. Meu objetivo é levar informação verdadeira, amorosa e acolhedora a outras mães e pais. O que eu quero é impactar quem se sentir representado.

Quando nasce uma mãe, nasce a culpa. Tente mudar isso em você. Não permita que ninguém impute sobre você um sentimento sem estar verdadeiramente do seu lado vivendo dia após dia tudo aquilo que você constrói dentro da sua casa e no seu relacionamento com seus filhos. O chicote do julgamento desce sobre muitos, mas a maturidade sobre os próprios sentimentos e emoções ajuda a aliviar.

Dicas para superar a culpa materna

– Analise se suas expectativas não estão acima da sua realidade.

– Busque ajuda de um psicólogo para combater culpas recorrentes.

– Conheça seus sabotadores mentais.

– Monte uma rede de apoio com pessoas de sua confiança.

– Não acredite em tudo que você vê, lê ou ouve.

– Não esqueça de que a vida do outro sempre parece melhor do que a nossa.

– Não interiorize falas que não sejam compatíveis com o que você vive.

– Não tenha medo de pedir ajuda.

– Não tome atitudes quando estiver com raiva, frustrada ou decepcionada.

– Olhe para dentro de você e localize o que te faz sentir culpa.

– Pare de consumir perfis em redes sociais que te façam se sentir mal por não oferecer a seus filhos e família o que eles postam.

– Saiba que você tem um limite. Aceite isso. Acolha isso.

– Seja gentil com você mesma.

– Use o momento do seu banho para relaxar e refletir/meditar.

– Acredite, eu também estou fazendo o melhor que posso para colocar tudo isso em prática.

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