Professor brasileiro e coordenadora britânica são exemplos para o mundo

Educar não se resume a ensinar disciplinas na escola. Há professores que fazem a diferença no Brasil e no mundo. Conhece alguém com esse perfil? Eleita a melhor professora do mundo, a britânica de origem grega, Andria Zafirakou, 36 anos, fala ‘oi’ em 35 idiomas e trabalha numa escola pública no sul de Londres, na Inglaterra. Ela diz que falar tantas línguas foi a forma de dizer que todos são bem-vindos. Andria Zafirakou venceu o Global Teacher Prize, da Varkey Foudation. O título é como um “Nobel” da Educação e também a presentou com o prêmio de 1 milhão de dólares.

Além de preocupar-se em ensinar, ela leva esperança e proteção (dentro do que pode fazer) para estudantes do colégio onde é coordenadora de professores. Desde que assumiu o cargo, o local recebeu uma das melhores avaliações do país. Formada em arte de design pena University College of London, Andria leciona numa área com a segunda maior taxa de homicídios do Reino Unido e com mais de um terço das crianças vivendo em situação de extrema pobreza. A região é marcada por uma alta taxa de imigração, com a segunda maior população de negros, asiáticos e outros grupos étnicos da Inglaterra. Segundo Censo de 2011 só nesta região, são faladas quase 150 dialetos.

O que ela fez? Além de aumentar o turno escolar, ela trouxe artistas, psicólogos e policiais para dentro da escola, envolvendo toda a comunidade no processo educativo. Ajudou o professor de música a criar um coral para crianças da Somália e inseriu atividades esportivas para meninas em horários alternativos, para que não afastar as crianças vindas de famílias conservadoras.

O prêmio foi entregue no dia 18 de março em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Brasileiro estava entre os dez finalistas

“Jogaram lixo em mim”, conta o diretor

Bons exemplos tão brotam no Brasil em várias partes do país. Pelo segundo ano consecutivo, um professor brasileiro ficou entre os dez finalistas do prêmio. O sul-matogrossense Diego Mahfouz Faria Lima, de 30 anos, diretor do colégio Darcy Ribeiro, de São José do Rio Preto (SP), foi reconhecido por ter recuperado uma escola depredada, com altíssimas taxas de evasão e incidência de tráfico de drogas. A escola municipal fica localizada no Jardim Santo Antônio, região carente e violenta.

“Sempre estudei em escola pública e minha mãe me cobrava para que eu estudasse. Exigia muito, não aceitava notas menores que sete, tinha horários para estudos”, lembra ele.

Quando perdeu a mãe vítima de um câncer, Diego Lima já cursava o segundo ano do magistério, que o atraiu com uma bolsa de estudos no valor de um salário mínimo. Com o pai desempregado, ele chegou a se alimentar apenas de fubá e água. “Nunca tive a pretensão de ser professor, mas gostava de estudar, precisava do salário e uni o útil ao agradável”, diz o brasileiro que é um dos dez melhores professores do mundo.

Alunos chegaram a atear fogo nos banheiros e em algumas salas durante “rebelião” (Foto: Divulgação)

A partir daí, terminou o segundo grau, graduou-se em Pedagogia e enfileirou três pós-graduações, nas áreas de tecnologias da educação, administração escolar e teorias e práticas pedagógicas. Logo no primeiro dia de Diego Lima no novo trabalho, a diretora foi agredida por alunos e pediu para deixar o cargo. Coube a ele assumir a responsabilidade. “No primeiro dia em que fui me apresentar aos alunos, eles saíram de dentro dos banheiros com cartazes com escritos de ‘rebelião’, colocaram fogo nos banheiros, jogaram lixo em mim”, conta.

As principais queixas recebidas por ele dos jovens foram as de que a escola “era muito feia” e mal conservada. Uma ação que pretendia pintar as paredes de algumas salas terminou como um mutirão que renovou a pintura da escola inteira. O material foi doado por comerciantes locais e a mão de obra incluiu ele, pais voluntários e alunos.

Escola estava abandona e era dominada pelo tráfico e brigas

Outra medida adota foi reverter as suspensões (60 por semana com duração de até sete dias) em medidas alternativas, como ajudar os funcionários na hora do recreio e na locação de livros da biblioteca. O diretor passou a atender e ouvir os alunos. Com isso detectou que a alta evasão escolar se devia aos casos de bullying e violência extrema entre os jovens.

Como resolveu? Lançou um sistema de carteirinhas estudantis, que permitem controlar a frequência dos alunos nas aulas – quando alguém deixa de ir ao colégio por dois ou três dias, o próprio diretor vai à sua casa para saber o que se passa. Como resultado, os casos de evasão passaram de 202 em 2013 a apenas dois em 2014. Já o “te pego na saída” foi resolvido com um mecanismo de mediação criado por Diego Mahfouz Faria Lima entre potenciais brigões.

Nova escola, esperança, trabalho duro e muito amor pela Educação

Todas as iniciativas aliadas a projetos de incentivo à leitura, às artes cênicas, atrações musicais, assembleias de classe e muita conversa renderam a Lima em 2015 o Prêmio Educador Nota 10, uma realização da Fundação Victor Civita em parceria com a Fundação Roberto Marinho. E, em 2018, a indicação ao prêmio internacional. Segundo ele, com o dinheiro do prêmio (se tivesse conquistado 1 milhão de dólares), criaria uma ONG para acolher crianças e adolescentes carentes e oferecer a eles cursos profissionalizantes nas horas vagas dos estudos.

Assista abaixo ao vídeo de apresentação de Diego Mahfouz Faria Lima


Assista

Fantástico – https://globoplay.globo.com/v/6906919/

Reportagem 1 (em inglês) Global Teacher Prize

Publicado em 13 de fev de 2018

 

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