Maternidade real: não vivi um conto de fadas, meu pós-parto não foi fácil

Verdade tem que ser dita: “meu pós-parto não foi fácil. O pós-parto nunca é fácil. Mas não pode falar, né? Tem que estar feliz…” Em 2015 me identifiquei muito com um texto que circulava nas redes sociais e era atribuído a uma mãe chamada Hatanne Saldanha. Ela falava verdades que eu constatava diariamente no puerpério. Escrevia sobre uma maternidade real que lutamos para tornar visível em um universo repleto de fotos de mães-divas que parecem viver um mundo de unicórnios e pôneis coloridos.

Eu publiquei esse textão em 05 de dezembro de 2015, em meio ao turbilhão emocional e hormonal que eu vivia. Ele me fez enxergar que eu não estava sozinha na minha jornada. Me vi nele em vários momentos e tenho certeza que vocês também vão se ver… Grávidas, mães em puerpério (primeiros quarenta dias após o nascimento do bebê), empoderamento materno é fundamental na sua nova vida pós-bebê.

Assim como aconteceu com Hatanne, minha gestação, parto e pós-parto não foram fáceis. Houve desentendimento com quem eu achava que deveria me apoiar, brigas no trabalho, eu realmente não estava preparada para o parto humanizado, nem para a dor das lacerações que tive em decorrência dele. Meu peito doía. Meu bico do peito parecia que ia cair, sangrava. Não parei de amamentar porque era guerreira e uma amiga jornalista foi um anjo em minha vida me ajudando nesse momento tão delicado. Eu achava que ia dar conta de seguir minha com meu trabalho na mesma rotina e pique de quem não tem filhos pequenos… Eu estava enganada.

Empoderamento materno é fundamental para tomar rédeas da sua nova vida pós-bebê.

A nova realidade me deu um soco no estômago. Eram conselhos, dicas antigas e ultrajantes: “tá dando muito colo”, “deixa no berço”, “chorar não mata”, “dá logo a mamadeira”, “você nunca mais terá tempo para você”. E mesmo sendo “dona de minha vida”, me sentia uma boba dominada. Eu precisei me empoderar! Eu precisei tomar rédeas da minha nova condição. Eu precisei ganhar no grito, literalmente. Eu precisei mostrar que eu estava lúcida e certa sobre o tipo de maternidade que eu queria: do meu jeito, com afeto, cheia de carinhos e amor. Também precisei enxergar que “mãe diva capa de revista, com cabelo e makeup maravilhosa, barriga chapada, pele de pêssego, sem olheiras, usando roupa da moda, salto alto e bebê no colo” NÃO É a realidade da maioria das mulheres. Maternidade de contos de fadas é exceção, não é regra.

Ok! Vamos ao textão? Não fique com preguicinha de ler, você já chegou até aqui. Role a página mais um pouquinho. Garanto que vai valer a pena! 😊

Eu coloquei os trechos com os quais me identifiquei em uma cor diferente. Leia, compartilhe com outras mães, deixe sua opinião nos comentários. Certamente você estará ajudando outras mães com sua experiência. Vamos juntas nesta jornada! 💪👩👶


Maternidade real: Meu pós-parto não foi fácil

“Meu pós-parto não foi fácil. O pós-parto nunca é fácil. Mas não pode falar, né? Tem que estar feliz. Tem que ter lembrancinhas cheirosas para as visitas e um bebê rosado dormindo como um anjo. No berço, tá? Se for na sua cama está errado. Como eu gostaria que alguém tivesse me chacoalhado e me dito algumas verdades, apenas para não achar que eu era a errada da situação. Então, hoje me dirijo hoje à você, recém-mãe de primeira viagem… Eu poderia te dizer que é assim mesmo, que tudo vai melhorar, que essa fase vai passar. Mas isso para você, agora, não ameniza em nada o caos no qual sua vida se transformou.

Amamentar não é intuitivo, dói, mãe e bebê parecem não se entender, é difícil…e ninguém te contou. E ainda tem gente dizendo que seu leite é pouco, não sustenta. Ou se você precisar complementar com fórmula, também vai ter o exército do aleitamento para te crucificar.

O bebê chora, você chora junto. Você também precisa (muito) de colo, mas ninguém parece perceber nem que você está ali, quanto mais que precisa de colo.

“Não fica triste que vai passar isso pro bebê”…você revira os olhos e desconfia que as redes de proteção nas janelas não sejam para as crianças. Você vai ficar uns meses sem dormir, vai atingir um grau de cansaço que nem sabia que existia, vai virar um zumbi cuidador de bebê. (Eu ouvia muitas coisas que me magoaram. Opiniões que não pedi. Muitas pessoas acham que estão ajudando quando não estão. Depois que eu e meu marido ficamos totalmente sozinhos com a Isis, as coisas entraram no eixo. Eu tinha a MINHA rotina e fiz a ROTINA do bebê. Isso ajudou muito). 

Não existe mais dia e noite, existe: bebê dormindo e bebê acordado. Não existe horário no relógio, existem intervalos de mamadas. (Isso não muda. Isso acontecia e acontece até hoje. Nossos horário giram em torno da rotina do bebê, depois da criança. Tente fazer horários que sejam bons para você e seu filho)

Corpo estranho, cabelo preso, pijama o dia inteiro, peito dolorido pingando leite…e às três da tarde você lembra que nem os dentes você escovou ainda. (Acontecei comigo até o 6º mês de vida da Isis. Depois que fiz uma rotina as coisas melhoraram. Ainda acontece de eu ser engolida pelo dia, mas me policio para não ser uma mãe mulamba. O desleixo pessoal acontece, mas não pode ser sempre)

“Meu bebê é lindo e saudável, eu deveria estar feliz! Que bicho estranho que eu sou por estar aqui depressiva, chorona e desesperada?” Você não é um bicho, você é uma mãe. Mas uma mãe tão novinha em folha quanto seu pequeno bebê, que não sabe nada de nada e está aprendendo a pilotar o avião em pleno ar. (Atenção! A depressão materna pode acontecer até sua cria fazer 3 anos. É muito puxado! São muitas mudanças na vida. Você é sugada para uma outra dimensão. Caso se sinta muito “pra baixo” e “fora desse mundo” procure ajuda profissional psicológica.)

Além de tudo, pessoas vão e vem da sua casa, interferindo num momento complicado, recluso, dando palpites irritantes e opiniões que você não pediu. Sim, é um momento de reclusão. Vocês dois precisam de PAZ. (Perdi o medo de definir hora para chegar e sair quando me vi exausta e um casal de amigos não se mancava. Percebi que era capaz de falar “chega”. Nunca mais tive vergonha de falar que não é um bom dia para visitas ou para sair.)

Você até esquece que existe um mundo lá fora, onde as pessoas vão aos shoppings, almoçam, trabalham, cumprem prazos. É isso: um confinamento regado a muito choro, inexperiência e insônia. Você quase esquece quem você é. Ou era.

O marido, coitado, está mais perdido que você. (Tem marido que ajuda muito. Mas tem aqueles que não ajudam e ainda atrapalham. O casal precisa se ajudar) 

Texto de Hatanne Saldanha publicado no Facebook (não consegui mais localizar a postagem de 2015)


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