Nem tudo está perdido, mulheres contam como lutaram contra o câncer de mama

As pequenas felicidades, hoje, têm um significado diferente para a paulistana Linda Rojas. Uma das mais populares vozes no combate ao câncer de mama no Brasil, Linda enfrentou dois diagnósticos da doença antes dos 30 anos, em 2012 e em 2017. E apesar dos mais diversos desafios que a condição inesperada trouxe para a sua vida, ela transformou a dor em superação e também em legado.

Linda Rojas em três momentos diferentes de sua vida. (Foto: Arquivo pessoal)

Sua história, suas vivências, os tratamentos e as angústias como paciente, como jovem, e como mulher, tornaram-se conteúdo para o projeto autoral Uma Linda Janela, que começou com um blog, e logo, ao chegar às redes sociais, tornou-se uma verdadeira ferramenta de aprendizado, de compartilhamento de histórias, e de comunicação para pacientes com câncer – especialmente mulheres – de todo o Brasil e do mundo.

Seguido por mais de 19 mil pessoas e com conteúdo lido em 70 países, Uma Linda Janela traz nos relatos de Linda uma verdadeira fonte de informação e apoio para pessoas que enfrentam a doença. Após o diagnóstico de recidiva, em 2017, Linda também transformou sua jornada na palestra motivacional e de conscientização Pequenas Felicidades.

As palestras motivacionais surgiram em 2016, quando Linda foi convidada pela sua antiga empresa, uma multinacional de recrutamento, para compartilhar sua história com os colegas de trabalho. (Foto: Arquivo pessoal)

Pequenas Felicidades expõe meus aprendizados e minhas conquistas ao longo desses anos. É um conteúdo flexível no qual abordo temas como a visão do paciente e autoestima, mas também empreendedorismo social, espírito de equipe, desafio versus oportunidades e, principalmente, superação. A realidade de tudo o que vivi é transportada ao ambiente corporativo como uma mensagem de muita esperança e positividade e de que é possível, de que a vida continua e de que os desafios podem se tornar, sim, grandes conquistas – explica a empreendedora, que vive no Rio de Janeiro.

Com uma abordagem leve e descomplicada, Linda Rojas conta em sua palestra as “pequenas felicidades” que descobriu durante os maiores desafios da sua vida. Em tempos de pandemia, a palestra também ganhou uma versão on-line e que pode ser aplicada via internet em diversos formatos, chegando assim a qualquer lugar do país.

“Durante a pandemia, e especialmente no mês de outubro, que é o mês de conscientização da doença, queremos levar esta mensagem cada vez mais longe não somente chamando a atenção de mulheres e homens pelo Brasil da importância da prevenção, mas também mostrando as grandes lições que aprendi nessa jornada e que podem ser aplicadas no dia a dia” – Afirma Linda.

As palestras motivacionais surgiram em 2016, quando Linda foi convidada pela sua antiga empresa, uma multinacional de recrutamento, para compartilhar sua história com os colegas de trabalho.

“Muitos assuntos relacionados ao câncer ainda são tabus. Por exemplo, não se fala muito sobre a vida sexual dos pacientes, ou a questão da fertilidade que em alguns casos pode ser comprometida pelo tratamento, sobre a maternidade no pós-doença, sobre implantes e reconstrução mamária… Esse tipo de informação passada com muita responsabilidade e muitas vezes com suporte de especialistas, torna a jornada mais leve. Quanto mais informação temos, menos insegurança sentimos. Compartilhar tudo isso faz com que muitas pessoas não se sintam sozinhas e quando encontramos esse tipo de conexão, nos tornamos parte da rede de apoio uma da outra.”

Após a primeira batalha e prestes a completar cinco anos sem a doença, Linda recebeu um novo diagnóstico, uma recidiva, o câncer tinha voltado na mesma mama. Em 2017, tudo recomeçou. Desta vez, Linda tinha plano de saúde. Então, também possui essas diferentes perspectivas em relação ao atendimento da rede pública e da rede privada. Linda teve o segundo diagnóstico dois meses após o casamento com o seu amado Caio.

“O Caio realmente foi muito importante pra mim, o câncer de mama geralmente vem na mulher, mas todo mundo passa junto. O Caio representa todos aqueles que se colocam como parte da solução de um problema como esse, seja um vizinho, um filho, sua mãe… Pessoas que trabalham com você ou que fazem parte da sua equipe. É incrível quando se conquista algo juntos. Esse grande companheirismo que encontrei nele também é abordado na minha palestra.”

Com a criação do projeto Uma Linda Janela, Linda viu sua história ser exposta amplamente, chegando a empresas, hospitais, e claro, pacientes. Assim, começou a receber inúmeras mensagens de apoio, de pessoas que assim como ela, enfrentam o câncer. Hoje, seu Instagram contabiliza cerca de 70 contatos diários.

“O que eu realmente pretendo é levar essa mensagem de superação  adiante, alcançar muitos corações, em qualquer lugar! Essa linda janela que se abriu após tanta luta me fez querer compartilhar que é possível, sim, enxergar a beleza da paisagem, seja ela qual for.”

Paciente de câncer é exemplo de solidariedade na pandemia no Outubro Rosa

Muitas vezes, é na dor que nasce o desejo de ser solidário. Esse é o caso de Jaqueline Chagas, paciente de câncer de mama. Mesmo após ter sofrido muitas dores físicas e psicológicas após o diagnóstico, ela buscou na dor a força para ajudar outras pessoas que vivenciam o mesmo dilema.

Depois de observar seus próprios desafios que viu a sua possibilidade de ajudar. Foi quando criou um grupo nas redes sociais para que mulheres com câncer pudessem compartilhar entre elas suas dores. O número de participantes foi aumentando cada vez mais e ainda com indicações de profissionais que se apresentavam como voluntários.

Jaqueline Chagas, de 40 anos, é uma das milhares de mulheres no mundo que enfrentam o câncer de mama. Foto: Vilma Ribeiro/Voz das Comunidades

E a pandemia tem mostrado o quanto é possível ser solidário, principalmente no Outubro Rosa. Um exemplo disso é Jaqueline Chagas. Moradora de Inhaúma, Jaqueline é paciente de câncer de mama. Mas o tratamento não a impediu de juntar forças para ajudar outros pacientes que estão com dificuldades até mesmo para comprar o alimento. Ela tem mobilizado um grupo de amigos e voluntários para doar cestas básicas para essas famílias.

Jaqueline é fundadora do Grupo Unidas para Sempre, que tem como objetivo dar suporte e apoio ao paciente com câncer e outras patologias. Ela diz que a pandemia trouxe desafios ainda maiores para quem já estava doente. Além de enfrentar a luta contra a doença, os pacientes precisam lidar com o isolamento social, o cancelamento ou remarcação de consultas e exames, e em alguns casos, a falta de emprego.

“Além das dificuldades para fazer exames ou realizar tratamentos, muitos familiares foram demitidos, piorando ainda mais a situação. Para amenizar essas dificuldades, o grupo tem contado com a ajuda de diversos colaboradores. Desde o início da pandemia, o grupo tem contato com a ajuda de diversos colaboradores para a arrecadação e distribuição de cestas básicas e kits de higiene pessoal. Ao todo, conseguimos atender 123 famílias. Estamos buscando recursos para ajudar mais pessoas.”

“Nosso desejo é alcançar mais pessoas, obter mais ajuda, e desta forma, atender um número maior de famílias e pacientes. As cestas são entregues em domicílio e sem custo, desde a Baixada Fluminense até outras regiões do Estado do Rio de Janeiro”, comenta.

Atualmente, o Grupo Unidas para sempre conta com apoio de psicólogas, nutricionistas, advogadas, oncologistas, clínico geral, assistentes sociais, enfermeiras, dentistas, terapeuta sexual, neuropsicólogo entre outros. “A proposta é que cada um possa exercer sua função em prol de famílias carentes que não possuem recursos para cobrir esses custos”.

Facebook Comments

Deixe seu comentário

Comentar

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.


*


Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.