Gastroenterite em crianças: Nutricionista dá dicas de alimentação para aliviar sintomas e evitar novas contaminações

Gastroenterite: quando a doença ataca, além da crianças ficar sem ânimo para atividades corriqueiras, elas podem perder a vontade de comer

A gastroenterite (GET) – infeção do estômago e intestinos – é muito comum nas crianças e adultos causando febre, diarreia aquosa, dor abdominal e vômitos. Entre as causas de contaminação estão a partilha de objetos como chupeta, copos e mamadeiras; mãos sujas na boca e em alimentos; comidas mal conservadas, preparadas sem higiene adequada ou estragada. Também é preciso ter atenção à água contaminada, sobretudo após tempestades, evitando contato direto da pele com poças e não permitindo que as crianças nadem em água de enchente.

Mas quando a doença ataca, além da crianças ficar sem ânimo para atividades corriqueiras, elas podem perder a vontade de comer. Além da preocupação com a saúde dos pequenos, existe a dúvida sobre o que oferecer neste momento tão delicado. Para orientar e acalmar muitas mães aflitas, conversamos com a nutricionista Ana Paula Moura, que tem 20 anos de experiência em Nutrição Clínica.

Muitas mães ficam em dúvida sobre o que oferecer e o que evitar na alimentação

De acordo com ela, é importante que a criança seja avaliada por um médico pediatra ou especialista. A partir daí, é preciso ficar de olho na alimentação e traçar uma estratégia nutricional. “Uma gastroenterite bacteriana vai necessitar de medicamentos e a alimentação pode ser um pouco mais liberada. Preferir alimentos de mais fácil digestão é o ideal. Por exemplo, frutas, sucos de frutas natural, verduras e legumes bem cozidos, cereais cozidos como arroz, massas sem molhos”, explica a nutricionista.

No primeiro momento da gastroenterite, caso a criança não esteja com vômitos, pode-se oferecer líquidos, pois a desidratação é o maior perigo e pode agravar o quadro clínico. Porém, no caso de ocorrência de vômitos, o ideal é deixar sem alimentação por algumas horinhas para que o sintoma não se agrave. “Vômitos e diarreias persistentes, para evitar quadros graves de desidratação, devem ser encaminhados com urgência ao serviço de saúde para hidratação”, destaca Ana Paula Moura.

Forçar a criança a comer é uma atitude que pode atrapalhar a recuperação e ainda causar traumas alimentares

Muitas mães ficam em dúvida sobre o que deve ser evitado quando a criança não está passando bem em decorrência da GET. Ana Paula orienta que, de um modo geral, é prudente evitar alimentos lácteos, doces, alimentos muito ricos em fibras como verduras cruas, frituras, bebidas açucaradas, refrigerantes (todos) e alimentos que a criança já tenha intolerância. Forçar a criança a comer é uma atitude que pode atrapalhar a recuperação e ainda causar traumas alimentares.

“É comum a criança não aceitar bem os alimentos neste período de abatimento e forçar a alimentação não é uma boa estratégia, pois pode trazer mais aversão ao alimento. Importante também a mamãe entender que neste período a criança vai comer menos e isto não trará malefício futuramente, pois será por um período curto. Então, oferecer pequenas porções ao longo do dia de alimentos que a criança gosta e que são adequados ao momento, é um bom passo para começar a reintroduzir a alimentação. Não esquecer dos líquidos água, água de coco, suco de fruta natural, sempre em pequenas porções e várias vezes ao dia”, orienta a nutricionista.

Água de coco: alimenta, hidrata e é natural.

Em caso de desidratação o soro caseiro ainda é uma opção, embora muitos produtos no mercado apresentem-se como substituto dessa opção caseira. E na hora de voltar a escola, as mães e cuidadores devem ter atenção na hora de preparar o lanchinho. O primeiro cuidado é com a higiene da lancheira, dos potinhos e garrafinhas: é necessário que sejam bem lavados com água corrente e detergente quando voltam da escola e quando vão receber o lanche. Estas ações são importantes não só para evitar a gastroenterite, mas para combater muitas doenças contagiosas.

“Preferir alimentos sempre frescos como uma fruta, sempre higienizada, que não precisem de refrigeração, a não ser que a escola tenha onde acondicionar, como exemplo um suco de frutas, uma água de coco, preferir carboidratos sem ou com pouco açúcar, como pãezinhos e bolinhos integrais. Não vale a pena arriscar colocando produtos lácteos que ficarão fora da geladeira”, finaliza a nutricionista.



A criança precisa ser avaliada pelo pediatra

SINTOMAS DE GASTROENTERITE INFANTIL

Febre; Dor abdominal; Náuseas e vómitos; Diarreia.

Pode ocorrer: urina escura e concentrada; cansaço físico; lábios e língua seca; mãos e pés frios; sonolência e prostração.

O QUE FAZER?

Contactar o pediatra para avaliação; buscar orientação nutricional para elaboração de um cardápio adequado ao caso e às necessidades da criança.

O QUE OFERECER NA ALIMENTAÇÃO

Preferir alimentos sempre frescos como uma fruta, sempre higienizada, que não precisem de refrigeração, a não ser que a escola tenha onde acondicionar, como exemplo um suco de frutas, uma água de coco, preferir carboidratos sem ou com pouco açúcar, como pãezinhos e bolinhos integrais.

O QUE EVITAR NA ALIMENTAÇÃO

Alimentos lácteos, doces, alimentos ricos em fibras como verduras cruas, frituras, bebidas açucaradas, refrigerantes e alimentos que a criança já tenha intolerância, molhos e alimentos condimentados.



Sobre Ana Paula Moura

Nutricionista Clínica, graduada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e Coach em Emagrecimento e Qualidade de Vida, formada pela Academia de Coaching e Nutrição e Especialista em Fitoterapia e Terapia Nutricional Enteral e Parenteral. Possui 20 anos de experiência em Nutrição Clínica adquirida em atendimento ambulatorial público e particular, bem como em grandes hospitais de referência no Rio de Janeiro.

 

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