FAKE NEWS. Notícias sobre pirulito energético que causa mal à saúde é falsa.

Pirulito é a palavra da vez nos grupos de mães (Imagem/Ilustração)

Está circulando em grupo maternos nas redes sociais um texto dizendo que há um pirulito “energético” que estaria causado danos à Saúde das crianças e pré-adolescentes que o consomem. As crianças que supostamente teriam consumido o doce Blong Energy, fabricado pela Peccin SA, estariam sofrendo com taquicardia, segundo as mensagens estilo corrente. A história viralizou na internet e tem causado alvoroço entre mães e danos à imagem empresa, que se defendeu em comunicado oficial em sua página no Facebook informado tratar-se de uma fake News, ou seja, notícia falsa.

A mensagem compartilhada é a seguinte: “Já é a terceira criança que atendemos na emergência com intoxicação por esse pirulito, ele contém energético. Hoje atendi uma criança de 10 anos, apresentando falta de ar, vômitos, queda da pressão, aumento da frequência cardíaca, tosse incessante. Acredito que por ser uma criança com peso de adulto nao causou efeitos colaterais piores. Semana passada atendemos uma criança de 5 anos com sangramento nasal, alteração neurologia (andar, fala, movimentos) que tinha sido exposta a esse pirulito. Então me faz esse favor. Por favor, estou divulgando em outros grupos também !!! Obrigada”. Junto, enviam uma foto do Blong Energy.

Mensagem que recebi em um dos grupos de mães que faço parte.
Foto que mandam junto com a mensagem sobre o pirulito (Reprodução/Whatsapp)

Reparem que a “informação” não cita nenhum nome, não diz o hospital onde as crianças estão internadas (impedindo que a veracidade seja averiguada), nem a data da ocorrência, causa alarme/caos e geralmente vem cheio de erros de ortografia. Além disso, o texto pede para divulgar para o máximo de pessoas/grupos possíveis, uma característica marcante de correntes e notícias falsas.

É claro que temos que ter muito cuidado com o que nossas crianças consomem e há uma série de perigos em oferecer açúcar para crianças muito pequenas. A nutricionista da minha filha, por exemplo, sempre me pede para evitar doces porque muitas crianças ficam agitadas/aceleradas quando comem açúcar, isso sem contar nos corantes e conservantes que podem causar alergias alimentares.

Então, como mãe e jornalista, me senti na obrigação de apurar o que está acontecendo, embora eu não ofereça esse tipo de produto para a minha filha de 2 anos – ela consome no máximo balinhas Finny. Achei justo e necessário esclarecer para as mães dos grupos dos quais faço parte, e aqui no blog a importância de verificarmos a veracidade das notícias antes de sair espalhando por aí. 🗣

Enquanto muitas mães correram para a página pedindo explicações (atitude muito válida), outras, saíram em defesa do produto: “Tenho um filho de 5 anos e o natural seria cortar e boicotar a marca, mas também sou empresária e sei o que uma notícia falsa poderia acarretar à uma empresa. Por favor, esclareçam com clareza a questão, pois só hoje vi essa notícia em mais de 5 grupos de mães. Obrigada!”, escreveu uma mãe moradora de São Paulo nos comentários do comunicado.

“Tenho 2 filhas uma de 2 anos de idade e a outra de 6 anos, sempre consumiram produtos Peccin e nunca tiveram problema algum…Necessário investigar se essas crianças que relataram ter consumido esses produtos não sejam alérgicas a algum componente, necessário analisar”, ponderou uma manicure de Erval Grande, município do Rio Grande do Sul.

Pirulito Blong Energy. Doce está no centro das discussões sobre alimentação (Imagem/Divulgação)

A Peccin SA respondeu que “conforme nosso comunicado, essa é uma informação falsa! O Blong Energy não possui nenhum componente estimulante/energético, ou alcoólico em sua formulação. Se você conferir a lista de ingredientes, o sabor de energético é caracterizado por aromas artificiais de framboesa com abacaxi. Com a soma desses aromas, chegamos exatamente à lembrança do sabor dos energéticos, o que foi caracterizado pela marca “Energy”. Se você quiser qualquer outro esclarecimento, pode nos consultar através do nosso SAC pelo fone 08009702252 ou sac@peccin.com.br. Um abraço!”

E na página da empresa no Facebook está o comunicado oficial. 👇

Comunicado oficial da Peccin SA. (Reprodução/Facebook)

Agora, veja o caso real

(Apurado pelo portal G1)

O pai da criança diz que nenhuma das embalagens que circulam no WhatsApp corresponde à embalagem da bala que seu filho consumiu. Ele diz que a embalagem encontrada com seu filho e com seu sobrinho é de uma outra marca. Mas, segundo ele, a embalagem estava aberta e colada com fita adesiva. Ele suspeita que a embalagem tenha sido usada apenas para guardar as balas “batizadas” que estavam dentro. “Possivelmente algum turista estrangeiro a usou para despistar.” A polícia apreendeu o invólucro.

Embalagem encontrada com crianças intoxicadas (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)

Embalagem encontrada com crianças intoxicadas (Foto: Reprodução/ Arquivo pessoal)

O incidente envolvendo as crianças ocorreu no dia 20 de fevereiro na praia de Dois Rios. Segundo o pai, as crianças de 5 e de 7 anos, seu filho e seu sobrinho, respectivamente, estavam na praia e encontraram as balas dentro de uma bolsa pequena.

“Essas ‘jujubas’ deviam conter algum alucinógeno ou algum remédio. Talvez sejam drogas mesmo. Quando encontramos as crianças, elas já haviam comido as balas. Ainda passou um amigo da família, que comeu outras quatro ‘balinhas’ dadas por elas. Então não foi possível identificar a substância.”

As crianças foram levadas de carro para o posto de saúde do bairro Abraão. Depois, acabaram transferidas de lancha da Defesa Civil para Angra. De lá, foram para a UPA pediátrica da Japuíba, onde ficaram de observação até o dia seguinte. Já o amigo da família não precisou ser transferido e só recebeu os primeiros socorros.

Segundo o pai, as crianças não apresentaram os sintomas relatados no boato, como sangramento nasal, tosse incessante, vômitos. “Eles ficaram com as pupilas dilatadas e tiveram alucinações.”

A enfermeira do Samu Beatriz Bessa conta como encontrou as crianças. “Eu fui junto com a Defesa Civil buscar as crianças na lancha. O Samu foi acionado pelo médico do pronto atendimento do Abraão. As crianças tinham sinais de intoxicação por alguma droga ilícita, estavam apresentando sinais de alucinações, não estavam conseguindo falar, não estavam conseguindo nem ficar em pé. Estavam bem intoxicadas mesmo. Retiramos em maca porque elas não tinham condição de andar”, diz.

Ela conta que o saquinho de balas encontrado com as crianças não é brasileiro e tinha inscrições em inglês. “As crianças relataram para os pais, quando ficaram bem, que era uma bala tipo jujuba”, afirma. A polícia apura o caso.

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