Trabalhar como se não tivesse filhos. Só que não!

O tempo passa e as coisas continuam na mesma quando o assunto é “mãe que precisa trabalhar”. Sempre aparece uma postagem aqui, outra ali, sobre a necessidade de organizar o tempo, exercer uma maternidade ativa e próxima do filho, mas, não é fácil. Eu sempre esbarro no “horário comercial” que me impede de ter o tal “horário flexível”. Com isso, tenho me visto estressada e angustiada porque, para atender a demanda que trabalha das 9h às 18h preciso deixar minha vida tooooooda organizada, o que nem sempre é possível, já que vida de mãe muda de uma hora para outra.

Poucas mães podem dar uma pausa temporária ou eterna na profissão. Poucas têm essa coragem. Poucas têm essa oportunidade. Poucas têm finanças pessoais condizentes com essa vontade. Poucas querem deixar de trabalhar, porque trabalhar é libertador! Nesse contexto, muitas (como eu) esbarram na impossibilidade de deixar os filhos na escola/creche em tempo integral porque é caro. Porque queremos estar perto das nossas crias ou, simplesmente, porque não é a vontade sincera do nosso coração e mente. Mas… Quem está fora do círculo que envolve as alegrias e agonias maternais nem sempre está disposto a aceitar essa realidade.

Sim, querida leitora, é um desabafo! Estou cansada fisicamente, emocionalmente e sobretudo, cansada de ouvir que tenho que colocar a minha Isis em horário integral na escola. Tá certo, que é difícil cumprir as tarefas em apenas 4 horinhas que ela fica na escolinha. É por isso que eu varo a madrugada lendo, estudando, trabalhando, escrevendo, pesquisando. Sou jornalista, (ainda) assessora de imprensa, gestora de conteúdo. SOU MÃE DE UM BEBÊ. De uns tempos para cá, assim como muitas mães, tenho usado a frase: “Agora, mamãe vai trabalhar, tá?”.

“Ah, mas você faz muita coisa. Pra quê abraçar o mundo?”, podem dizer por aí. Só que eu não abraço o mundo. Esse é o meu trabalho. Trabalho é sustento. Trabalhar é poder suprir necessidades básicas! Perceberam que eu não escrevi “luxo”? Desde que descobri que estava grávida comecei a arquitetar um plano para conseguir trabalhar e ficar com a minha filha. O primeiro choque de realidade veio quando ela completou 1 mês e percebi que bebês não são robôs. O segundo choque veio quando voltei ao trabalho fixo e o coração morria todos os dias por deixá-la tão pequenina sem mim – e colocar em creche integral nunca foi minha vontade e continua não sendo. Escola demais pode fazer mais mal do que bem! O terceiro, quando virei mãe empreendedora e comecei a trabalhar em casa. Desde então, passou-se 1 ano e 10 meses e continuo lidando com improvisos e falta de tempo.

O quarto choque de realidade – este ocorrido no último mês – veio quando percebi que precisaria abrir mão de uma das minhas funções jornalísticas por estar interferindo negativamente na minha calma e paciência. Resumindo, vou dar uma pausa porque está tirando a minha paz. O problema de trabalhar em casa com crianças ao redor é ampliar os problemas do serviço para dentro da família. Eu não consegui deixar os aborrecimentos do trabalho do lado de fora. A minha convicção sobre essa mudança de rumo ficou absolutamente firme quando gritei com minha filha porque ela tagarelava junto com a apresentadora da agenda cultural da TV ao mesmo tempo que eu estava tensa preocupada com a inserção de um cliente no programa… Falar grosso com um bebê, vê-la chorar magoada e depois chorar junto de arrependimento foi o meu basta para o tormento que se tornou o expediente nessa tarefa. Ponto!

Trabalhar como se não tivesse filhos é impossível para quem tem filhos! Nem dá para digerir uma frase dessas. Porém, trabalhar apenas meio-expediente não se aplica ao meu bolso. Por isso, o jeito é aceitar que as “horas alternativas” precisarão ser cumpridas e fazer isso da melhor maneira possível, ou seja, com propósito, foco e organização.

Claro que eu já pensei em largar tudo e partir para outra coisa completamente fora do estresse que é o Jornalismo, profissão que resolveu casar com a falta de empregos e contratações, nos obrigando a nos reinventarmos e sermos criativos o tempo todo. Ninguém é criativo ou se reinventa o tempo todo. Pensar assim é cair direto na cilada mental que só aumenta a insônia e atrapalha o raciocínio para algo proveitoso.

Fato é que eu continuo querendo ter um trabalho que me dê qualidade de vida para mim e para minha filha. Sou filha de uma mãe que trabalhava o dia inteiro e sustentava a casa sozinha. Minha avó ajudou na minha criação ficando comigo para que minha mãe pudesse trabalhar o dia todo fora. As duas sempre foram excelentes exemplos na minha vida. Quando bate o desespero penso que estou fazendo o meu melhor no trabalho home office e que também estou fazendo o meu melhor me dedicando a minha Isis. E estou mesmo!

Portanto, se aqueles posts de redes sociais, se aqueles textos lindos de revistas e sites sobre “desacelerar e ir com calma”, não se aplicam à sua realidade, viva a sua maternidade da maneira mais saudável para sua vida emocional, pessoal e profissional. Infelizmente, o mundo está cheio de pessoas especializadas em embutir culpa, cobranças, desarmonia e desequilibrar o que já não é fácil. Nada fácil. De resto, agradeço a Deus pelo meu trabalho, por minha saúde, pelas pessoas que me dão oportunidade de continuar trabalhando,  pela ajuda grandiosa que minha mãe me dá e pela saúde da minha filha.

Obrigada por ler até aqui! Desejo, sinceramente, que nossa jornada com mãe seja de muita paz, alegrias e menos perrengues. 😘

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