Mães de Ferro, histórias reais para você se inspirar

Imagem: Das Studios/Pixabay

Por Fernanda Con’Andra

O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, marca décadas de lutas por igualdade no mercado de trabalho, direito a decidir sobre os rumos de sua vida e trabalho, pelo fim do preconceito contra o sexo feminino e por mais apoio quando o assunto e ser mãe. A data merece ser lembrada com exemplos de mães, cujos diferentes perfis servem de inspiração para que outras mulheres que entraram no universo materno. São casos de mulheres que abraçaram optaram por maternar seus filhos de forma ativa e que – mesmo com dificuldades – continuam batalhando firme no mercado profissional.

E como falou Simone de Beauvoir, ícone do pensamento filosófico feminista e defensora da emancipação feminina do século XX: “Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância, já que viver e ser livre.”

Respire, e tome fôlego novo com os casos inspiradores dessas “Mães de Ferro”.

Brunna Maimone

Atriz e produtora cultural, Brunna Maimome, optou por empreender para ficar mais perto do filho, de 1 ano e 7 meses. Com muita coragem, ela alugou uma casa para empreender e exercer sua maternidade lado a lado. O escritório foi compartilhado com o quarto do filho. Usando os caminhos de sua própria profissão, ela criou um centro cultural na Tijuca, o SomoS – Espaço Multicultural, espaço totalmente organizado com a ajuda de outras mães empreendedoras. Uma prova de que ajuda mútua funciona. O local é uma área de desenvolvimento do Ser por meio de atividades artísticas e terapêuticas e Brunna atende de gestantes, passando por mães (sozinhas ou com os filhos), a terceira idade. “Arte desde o útero! Acredito que todo ser humano que tem envolvimento com a arte pensa e faz um mundo melhor!”

Larrissa Santos

A história da artesã Larissa, 37 anos, é de pura determinação, coragem para mudar os rumos da vida e força de vontade. “Daria um livro de diversos capítulos”, como ela mesma disse. Ela tornou-se “mãe solo” em 2012, quando sua primogênita nasceu. Quando Letícia completou 2 anos, veio o susto: a pequena precisava de cuidados especiais. Após idas e vindas a geneticistas e vários outros especialistas, Larissa chegou ao laudo clínico que apontava para uma síndrome síndrome neurocutânea rara, a Hipomelanose de Ito. “Não temos um diagnóstico conclusivo. São tantos exames que Letícia e eu já estávamos desgastadas e exaustas em procurar médicos, terapias e tudo mais. Mas, vamos seguir em busca de uma solução. Ela tem Transtorno Global do Desenvolvimento, tem 6 anos mas, o comportamental cognitivo é de um bebê de 2 anos. Jamais conseguiria ter um trabalho normal por conta da demanda e por ter ficado sozinha com ela desde o 1º mês de gravidez. Não é fácil até hoje. São altos e baixos, mas, a gente vai com a garra e a força que tem e que não tem. Por amor”. Para levar mais qualidade de vida para a filha, Larissa se mudou do Rio de Janeiro para Guapimirim, também no Rio. “Já que nunca tive ajuda de familiares ou família paterna da pequena”, explica. Empreendeu no artesanato personalizáveis e criou a Efeitos à Mão, empresa voltada para o universo materno. E lá se vão 7 anos de maternidade empreendedora.

Joana D’arc Souza

Mãe de três. Mãe de anjo. Assim é Joana D’arc Souza, 33 anos, mãe de Sophie Aimée – 4 anos, Claire – 1 ano e 4 meses, e Matheus – 5 anos (o anjinho que foi para o céu). O nome dela já remete a uma das mulheres mais fortes e famosas da França medieval… Mas a Joada D’arc desta matéria é jornalista e fez uma transição na profissão para personal organizer. De volta ao trabalho, após a licença maternidade de Sophie, em 2014, ela estudou e se formou Coach. Trabalhar esbarrou na dificuldade comum a muitas mães: com quem deixar a bebê. A ajuda veio através da mãe, avó das crianças. A opção de fazer homeoffice nasceu com a vontade de ficar mais perto das crias. Claro, as aventuras da maternidade têm inúmeros desafios e equilibrar carreira e filhos, é um deles. “Matheus virou anjo no parto, minha religião e amigos me ajudaram muito além da vinda da Sophie. Hoje sou voluntária no Do Luto à Luta: Apoio à Perda Gestacional e Neonatal”. Joana é mãe que trabalha em casa. “Meu propósito é trabalhar perto das minhas filhas.  Atualmente, dedico a mesma quantidade de horas para elas e para o trabalho, a parte delas é dividida entre manhã e noite e o trabalho durante o horário comercial”. Ser coach a motivou a ajudar outras mulheres/mães que desejam tempo de qualidade para organizar ideias e a percepção da própria vida.

Valéria Ramos

A advogada Valéria Ramos, 44 anos, abriu mão de seu trabalha em um escritório com horário fixo de atendimento para estar mais perto da educação dos filhos, Bernando -18 anos, e Leonardo – 15 anos. Ela deixou o emprego formal para cuidar das crianças e depois, fez o caminho de volta. O peso financeiro das contas a pagar exigiu o retorno ao batente, mas, desta vez, como dona do próprio negócio. “Após essa primeira etapa, percebi que tinha que retomar as atividades profissionais. Troquei a operação de três livrarias no Rio de Janeiro, onde tinha um pequeno café. O negócio não vingou. Mesmo com o choque inicial, optei por não desistir e direcionei o foco para outra direção, o mercado de franquias”. Valéria abriu a Dagosto Bistro, restaurante cuja proposta é comida saborosa e rápida para o almoço do dia a dia. Agora, a empreendedora aposta no mercado de franchising para sua rede. Franquias estão entre as opções para mães que desejam trabalhar com um negócio já estruturado e testado. O mercado de franquias no Brasil cresce a cada ano e oferece opções que vão desde as grandes marcas até as micro franquias. No site ABF – Associação Brasileira de Franchising há informações e números que mostram porque o franchising brasileiro é um dos maiores do mundo.

Priscila Martins

A diretora comercial do Laboratório Veterinário Mundo Animal, de 32 anos, usa as técnicas que aprendeu, em muitos treinamentos de vendas, para organizar sua carreira e vida pessoal. Principalmente após o nascimento das suas filhas gêmeas, Laura e Alice – 2 anos e 6 meses. Workaholic assumida a executiva não soube reduzir o ritmo durante a gravidez e trabalhou até uma semana antes de dar à luz. “Eu poderia ter diminuído a carga desde o nascimento delas, mas não quis. Mesmo se eu fosse bilionária, eu não deixaria de me empenhar muito no trabalho”. Após a chegada das meninas, o jeito foi organizar a vida da família como ela administra a empresa. As viagens longas ficaram no passado. E, para ficar mais tempo com as crianças mudou com a família para perto da empresa – que ficava 200 km distante de sua casa em São Paulo. Priscila decidiu se mudar para Pindamonhangaba. “Elas ficavam com a babá e com minha mãe. Quando meu marido chegava em casa assumia os cuidados com elas e muitas vezes dormiam sem eu ter chegado ainda. Quando estavam comigo, ficavam muito elétricas. O cansaço quase me dominava, mas eu não me entregava e sabia que tinha que achar um novo caminho”. Priscila trabalha com enorme prazer, mas também quer estar presente em todos os principais momentos da vida de suas filhas. “Ter um filho não vai te desobrigar a fazer nada. Muito pelo contrário, só dará mais obrigações e responsabilidades.” O segredo de Priscila para dar conta é estar totalmente focada. “Eu vivo o agora. Se estou trabalhando, tento não pensar muito nas meninas, e se estou com ela, sou totalmente delas. Ser mãe, esposa e executiva em tempo integral e ainda trabalhar duro faz com que você se torne um modelo para elas. Mas, definitivamente, estou longe de ser uma supermulher”.

Camilla Junqueira

A digital influencer e modelista apostou nas mídias sociais para mostrar a maternidade de forma descomplicada. Após passar por experiências pouco positivas na volta ao mercado de trabalho, Camilla resolveu viajar para Paris em busca de inspiração para um negócio próprio. “E decidi que eu queria abrir um negócio meu, e fiquei um mês por lá, deixei meus filhos aqui e trabalhei a minha cabeça para algo que eu queria no universo da moda”. Camilla chegou no Brasil com diversos projetos, inclusive o de abrir uma marca própria. Porém tudo foi interrompido quando descobriu a terceira gravidez: Optou por se dedicar totalmente a educação dos filhos e a cuidar de sua casa e família. “Ser mãe é um trabalho tão nobre quanto qualquer outro”. Essa decisão ficou ainda mais forte e consistente com o nascimento do João Francisco, o “Tito”, seu terceiro filho hoje com 3 anos. Prematuro, passou um período na UTI. Foi aí que Camilla resolveu partilhar sua experiência de “Mãe de Três”, e embarcou nas redes sociais. Hoje são quase 100 mil seguidores que acompanham sua rotina.

Tatiana Fanti

Tatiana Fanti é relações públicas e diretora da agência Prima Donna. “Mãe solo”, a descoberta de sua gravidez “foi uma surpresa completa”. Na época, ela namora do pai da filha Maria Eduarda e ficaram juntos até a bebê fazer sete meses de vida. Foi a partir daí que ela sentiu o que era a maternidade solo. “Nunca foi fácil, mas eu sou partidária do “antes só do que mal-acompanhada”, então encarei como mais um desafio de vida”. E na correria trabalho, criança na escola, reunião de pais… Pediatra, cuidados com ela mesma… “Preciso escrever tudo na minha agenda, de papel mesmo, para não esquecer nada. Coloco na mesma agenda os roteiros de estudos das provas dela e as minhas coisas de trabalho. Reunião de pais costumo marcar horário individual com a professora, porque eles agendam sempre em horários que nunca consigo ir. Faço questão de levar a minha pequena na escola todos os dias e hoje priorizo almoçar com ela sem celular na mão.” E dentro da rotina, Madu virou companheirinha de trabalho da mãe. “Ela cresceu dentro dessa realidade. Sua estreia na São Paulo Fashion Week foi aos seis meses de idade. Eu acompanhava uma entrevista e ela estava no carrinho. As pessoas achavam lindo e eu me sentia completamente culpada. Explico pra ela que trabalho porque preciso ter dinheiro para poder proporcionar a ela estudo, lazer, moradia”. As coisas ficaram um pouco mais leves com a escola em meio período. “Tento marcar reuniões enquanto ela está na escola. Quando não é possível, ela vai comigo. Ela me ajuda a montar os kits que mando para a imprensa e, agora, com 9 anos, curte ir comigo. Já paguei muito mico com ela se apresentando as pessoas de quem ela é fã”. E ser mãe rendeu aprendizados importantes: “Aprendi a entender melhor meus pais. Aprendi que não posso ser perfeita e nem criar uma pessoa perfeita. Mais do que tudo isso, aprendi que as surpresas da vida são as melhores. Sempre quis ser mãe, mas sempre fui workaholic assumida. Se a Madu não viesse de surpresa nos meus 24 anos, talvez eu nunca tivesse me tornado mãe”.

E há muitíssimas histórias inspiradoras por aí. Conhece alguma? Conte nos comentários.

Como surgiu o Dia Internacional da Mulher

No Dia 8 de março de 1857, operárias de uma fábrica de tecidos, situada na cidade norte americana de Nova Iorque, fizeram uma grande greve. Ocuparam a fábrica e começaram a reivindicar melhores condições de trabalho, tais como, redução na carga diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres recebiam um terço do salário de um homem para executar o mesmo serviço) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As grevistas foram trancadas na fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Em 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que a data 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem aquelas que morreram queimadas na fábrica lutando pelos direitos femininos. Porém, somente em 1975 a comemoração foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas) por meio de um decreto oficial.

Mães em Dupla Jornada

As mulheres do mundo passam mais tempo do que os homens em atividades domésticas não remuneradas, principalmente no cuidado com os filhos, como revelou a pesquisa Trabalho de Mulher: Mães, Crianças e a Crise na Assistência à Infância, realizada pela think-tank britânica Overseas Development Institute (ODI). O estudo realizado em 2016 mostrou que as mães – mesmo as que trabalham em casa – também estão no mercado de trabalho para sustentar suas famílias, o que se traduz em uma falta de tempo que afeta sua qualidade de vida e bem-estar delas e de seus filhos. “Isso não reflete uma falta de amor pela parte de seus pais, mas sim uma crise mundial de assistência à infância que atinge em cheio os mais pobres”, ressaltam os autores. O fato de as mulheres gastarem mais tempo que os homens nas tarefas do lar e dos cuidados com as crianças significa que elas trabalham mais horas. (Fonte: El País)

 

Fotos: Arquivo pessoal das entrevistadas | Pixabay

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