Desabado de mãe: meu bebê não me deixa fazer quase nada

Não poder dormir direito é o pior problema.

Eu sempre leio muito sobre como manter o foco, como trabalhar em casa com crianças ao redor, sobre manter a calma e entender que depois que virei mãe não tenho mais como “Trabalhar como se não tivesse filhos. Só que não!“. Vivo criando meios de me manter ativa na minha profissão de Jornalista, que vem sendo assolada pelo desemprego. Só que tem horas que não dá para romantizar a relação “maternidade – trabalho” e é difícil desabafar “a real” quando estamos em um mercado onde a competitividade destrói. Mas nesta semana, em meio ao estresse do dia, criei coragem e postei um desabafo no Facebook, que reproduzo aqui para vocês. 👇

Atenção sempre voltada para o que ela faz. Exigências de um bebê são grandes. (Foto: Arquivo pessoal)

“Minha bb não me deixa fazer NADA! Ou praticamente nada! É muito difícil ela não querer ficar grudada que nem miquinho na mãe. Não adianta ter outra pessoa cuidando porque ela não fica, chora, faz pirraça. Mesmo quando tentam ajudar. Como eu já ouvi “a gente quer dar folguinha pra mamãe, mas ela não deixa”. Não há nada, NADA, que a distraia por mais de 15 minutos. Logo, eu não consigo me concentrar se estiver perto. Usar o computador com ela acordada é mais estressante do que deixar ele desligado, mesmo tendo muita coisa pra fazer. Ficar no WhatsApp com ela perambulando? Sem chances! Enquanto estou respondendo é o tempo dela subir em algum lugar e… Não tenho mais de 5 horas de sono porque quando ela dorme eu tenho que trabalhar. E ainda assim, quando eu durmo, ela acorda durante a noite e me chama. Supressão do sono. Sabem o que é? Não existe glamour na maternidade. Existe cansaço e trabalho duro. Educar é ter persistência, paciência. É lindo ser mãe, ver a cria se desenvolver. Receber carinho, beijinhos, ser a preferida dela. Amo demais! O que está no coração é superior. Mas não dá pra romantizar tudo. A escolha do home office para ficar perto dela foi minha. Mas não é fácil. Nunca foi”. 😞

Recebi muitas mensagens de carinho e apoio de outras mães que estão passando pela mesma situação. Às vezes é difícil expor algo tão pessoal em um universo onde é necessário parecer extremamente profissional. Maternidade e trabalho não estão sendo harmônicos neste momento para mim, mas vou levando como dá e contanto com a santa ajuda da minha mãe, quando a minha filha aceita ficar com outra pessoa.

“Saiba que somos muitas nesta condição. Escolhi abrir mão de trabalhar fora para me dedicar à pequena. Sou revisora textual e trabalho home Office. Durmo pouco pois só consigo trabalhar entre 9 da noite e meia-noite, período que ela dorme mais. E tem as tarefas de casa. Cuidar de mim quando?”, respondeu uma mãe nos comentários. Me senti acolhida. ❤

Nos relatos partilhados no meu post há mães dizendo que “É bem assim mesmo”. Há mães que trabalham fora e também o grupo do “home office” sofrendo de fadiga física e mental. “Trabalho fora e o grude em casa não é diferente. É ainda depois que ela dorme eu arrumo a casa, lavo roupa, passo, arrumo a mochila e a lancheira da escola, passo o olho na agenda, arrumo uniforme. É aqui somos só eu e ela. Eu que levo, eu que busco, faço compras e mesmo assim tem amor de sobra. E ainda tem uma amiga q me falou outro dia: faz uma massagem no seu cabelo. Lava passa o creme e espera um pouco para enchaguar. Eu falei: gata se eu conseguir lavar o cabelo com calma eu já tô no lucro e me sentindo em um Spa srsr eu entendi porque ela não tem filhos 💖😘”.

Outra disse: “Tô quase copiando porque não tem uma vírgula diferente aí no que vc escreveu que eu não esteja vivendo agora. Tô exausta.. claro que compensa a exaustão quando olho para minha BB!”. Também tem aquele carinho virtual que nos fortalece… “Abraço forte! Nesse momento também vivo em desarmonia e a sensação terrível de que não vou dar conta, além do cansaço físico e privação do sono me desanimam! Mas vamos em frente um dia de cada vez….nao posso parar pq as crias dependem de mim emocionalmente e financeiramente. Tudo que desejo nesse momento é uma noite de sono completa!”, escreveu outra mãe em condição semelhante.

Minha tia teve trigêmeas e garante que sobreviveu… Graças a Deus. rsrsrsrsrs “E eu que tive trigêmeas! Não conseguia tomar banho antes de 1 hora da manhã, pentear os cabelos antes da 5 da tarde. Ficava ligada 24 horas, cochichava no trabalho e batia com a cabeça no monitor, tinha apagão no metrô e acordava na Tijuca, quando tinha que descer no Estácio. Sobrevivi”. 😊

E meu primo-irmão (primeiro filho da minha tia mãe das trigêmeas) me confortou: “Eu sei como é isto. É eu por o pé em casa que ele quer brincar. Agora que ele está se aproximando dos 4 anos está começando a mudar. Andei pesquisando e observando, esta fase vai até os 3 ou 4 anos. A partir dos 4 anos eles começam a ficar mais independentes”. A observação dele foi confirmada por uma amiga que é mãe de um menininho com a mesma idade do meu sobrinho… “Vou te dizer que melhora. Ele está com 3 anos e meio. O comportamento melhorou muito e ele está bem mais independente!”. Que bom! Graças a Deus as coisas melhoram, afinal, preciso do meu trabalho para me sustentar e atender às necessidades dela. 🙂

Não quero acelerar as coisas da minha pequena, por isso, vivo me adaptando e lidando com o improviso, além dos horários “flexíveis”, que eu chamo de “não convencionais” de trabalho. Desabafei e recebi carinho. Me senti muito acalentada. É isso, Mães precisam de apoio! 

Gratidão, meninas! 😘

 

 

 

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