A menina do Kung Fu

Peça fala sobre inclusão, discriminação, empoderamento feminino, bullying e a acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

Ator Diego Molina retorna ao público infantil, depois do sucesso de “Joaquim e as estrelas”

Yes, we can. Sim, nós podemos, qualquer um pode. Ela pode. Ela é Belinha, uma menina 9 anos, cega, que entra para uma academia de Kung Fu. Eis a protagonista da peça infanto-juvenil “A menina do Kung Fu”, encerra neste final de semana a temporada de apresentações no Teatro Gláucio Gill, espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ, localizado na Praça Cardeal Arcoverde, em Copacabana. As sessões são às 16h, no sábado e domingo (dia com audiodescrição e intérpretes de libras).

A MENINA DO KUNG FU conta a história de Belinha, uma menina cega que encara desafios para se impor com uma limitação física e num universo dominado pelos meninos de uma academia de artes marciais. A peça tem o personagem Pedroca, um garoto de 9 anos, que lidera uma turminha de amigos que pratica kung fu, numa academia fora da escola. É um grupo muito animado e que adora chamar a atenção com as confusões que aprontam. Mas a situação se modifica quando um novo aluno se matricula: Belinha. Vivendo uma situação inusitada, a turma do Pedroca e sua professora tentarão descobrir como se relacionar com uma pessoa com deficiência numa academia de artes marciais, ao mesmo tempo em que Belinha tentará mostrar do que é capaz. 

A peça – para crianças a partir de 5 anos de idade, porém mais voltada ao público entre 9 e 13 anos – tem um texto que aborda conceitos como inclusão, discriminação, o empoderamento feminino, bullying e a busca por diretos igualitários dentro de uma plataforma nada didática, o Kung Fu, para contar uma história original e extremamente atual. O espetáculo conta com diversas medidas de acessibilidade; entre elas, audiodescrição e intérpretes de libras para pessoas com deficiência visual e auditiva.

Com texto de Diego Molina, supervisionado por Bosco Brasil; e direção dividida entre o próprio Molina e Carolina Godinho, no elenco, estão Monique Vaillé, Fábio Nunes, Janaína Brasil, Victor Albuquerque e Jorge Neves.

Nas entrelinhas, o texto escrito pelo próprio Diego Molina, com supervisão de Bosco Brasil, fala mesmo é de gente. “As relações humanas sempre serão uma pauta atual, e é disso que a peça fala: de construirmos um mundo onde as pessoas se relacionem melhor. E quando falo em ‘pessoas’ falo de todos os tipos”, explica Molina. Dá bem para imaginar quantos desafios Belinha encara no espetáculo, que marca a volta do diretor, dramaturgo, roteirista, ator, cenógrafo e professor de teatro Diego Molina ao mundo dos baixinhos, depois do sucesso de “Joaquim e as estrelas”.

Desafio que também foi escrever e montar a peça sem patrocínio, só contando com instituições e pessoas que acreditaram no projeto e aceitaram participá-lo pela sua causa, sem nenhum tipo de remuneração. E também quem colaborou para o crowdfunding Vakinha para custear algumas medidas de acessibilidade, como audiodescrição e intérpretes de Libras. Afinal, não basta falar de inclusão. É preciso incluir. Assim, crianças e adultos com deficiência auditiva e visual vão poder assistir ao espetáculo.

Ele escreveu o texto em 2010, quando ainda fazia parte da ONG Escola de Gente – Comunicação em Inclusão, e se utilizou de anos de capacitação sobre conceitos de diversidade para realizar o desejo de escrever uma peça infanto-juvenil que unisse inclusão e acessibilidade. Criou o texto justamente para tratar do assunto deficiência diretamente com a criança e seus pais. Porque, “apesar de pessoas com deficiência sempre terem existido (e sempre existirão), a inclusão é uma palavra extremamente contemporânea, ainda bastante complicada para a maioria das pessoas”, observa Molina. E por que falar dessas questões agora? “Porque simplesmente queremos dizer as coisas propostas pelo texto”, conclui o autor.

É isso! A beleza do ser humano é sermos todos diferentes. E, ao mesmo tempo, estamos em busca de direitos iguais. Afinal de contas, somos todos gente!

“… Gente é muito bom, gente deve ser o bom… Tem de se cuidar, de se respeitar o bom…” (Caetano Veloso em “Gente”)


Serviço:
“A Menina do Kung Fu”.
Local: Teatro Gláucio Gill – Praça Cardeal Arcoverde s/n°, Copacabana, ao lado da estação do metrô. Temporada: Até 1º de setembro. Sábados e domingos, às 16h. Ingressos: R$ 30 (inteira) / R$ 15 (meia) – entrada gratuita para pessoas com deficiência. Classificação indicativa: livre. Haverá sessões com acessibilidade na comunicação (audiodescrição e intérpretes de libras no dia 1º de Setembro.


Ficha técnica:
Texto: Diego Molina
Supervisão de texto: Bosco Brasil
Direção: Carolina Godinho e Diego Molina
Elenco: Fábio Nunes, Janaína Brasil, Jorge Neves, Monique Vaillé e Victor Albuquerque
Figurinos e Adereços: Patrícia Muniz
Cenografia: Diego Molina e Patrícia Muniz
Iluminação: Anderson Ratto
Trilha sonora: Pedro Nêgo
Visagismo: Diego Nardes
Assistente de visagismo: Lucas Souza
Programação visual e Ilustrações: Marcelo Martinez – Laboratório Secreto
Fotografias: Bruno Coqueiro
Instrutor de kung fu: Renan Nascimento
Intérpretes de Libras: JDL Traduções – Acessibilidade na Comunicação – Davi de Jesus e Jadson Abraão
Fotos: Bruno Coqueiro
Audiodescrição: Nara Monteiro
Assessoria de imprensa: Sheila Gomes
Direção de produção: Janaína Brasil
Produção: Carolina Godinho, Diego Molina, Janaína Brasil e Monique Vaillé
Coprodução: Arte Nova e 2BB2 Produções Artísticas

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